segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Panóptico

Idealizada pelo filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham, esta estrutura foi elaborada na primeira metade do século XX a partir de um projeto da escola militar em Paris cujo conceito era facilitar a supervisão dos alunos. Bentham aprimorou a idéia e criou o panóptico. Através de algumas modificações a primeira aplicação aconteceu no plano judiciário através do projeto de uma prisão.

A estrutura do panóptico foi pensada para exercer um papel de controle social sobre os indivíduos. Trata-se de um edifício com várias celas, construído em formato circular, com um pátio no meio e uma torre ao centro. As celas podem ser vigiadas tanto do lado interno do prédio quanto pela parte externa, pois seu projeto foi elaborado de modo a permitir que o espaço seja inteiramente observável.


O funcionamento do panóptico ocorre da seguinte forma: "Na torre central deve-se colocar então um vigia e em cada cela trancafiar um condenado, louco, operário ou estudante: através do jogo de luzes, torna-se impossível ao detento, escolar ou psicótico saber se naquele ponto central está ou não alguém à espreita. Isolados, os condenados ou doentes ou os alunos são hora após hora, dia após dia expostos à observação dos mestres do panóptico, mas sem saber se a vigilância é ininterrupta ou não, quem os vê ou o que vêem. A incerteza da vigilância intermitente adestra"*. Dessa forma, o panóptico funciona como uma forma de vigia onipresente e, de acordo com Bentham, esse tipo de poder que é capaz de exercer o controle social de forma efetiva e sem violência.

O conceito do panóptico gerou diversas discussões, dentre elas está a reflexão feita pelo escritor George Orwell em seu livro "1984" cujo inspetor é o Big Brother, um vigilante onipresente. Outra análise que circunda a idéia do panóptico foi trazida pelo filósofo Michel Foucault em sua obra "Vigiar e Punir" publicada em 1975, chamada de "O Panóptico de Foucault". O filósofo analisou a relação do poder da punição e da vigilância enquanto forma de controle dos indivíduos.

A idéia do panóptico é polêmica e gera diversas discussões ainda hoje. Seu projeto já foi adotado além das penitênciárias. Existem fábricas, escolas, instituições psiquiátricas, dentre outros prédios construídos segundo os princípios do panóptico.

Referência: http://blog.uncovering.org/archives/2007/06/panoptico_a_gen.html

*http://blog.uncovering.org/archives/2007/06/panoptico_a_gen.html

sábado, 19 de setembro de 2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Estratégias do Caminhar

Le Parkour: termo de origem francesa que significa "percurso" e designa uma prática que consiste na interação do corpo humano com o ambiente urbano. Trata-se da arte de transformar os obstáculos encontrados no caminho em performances acrobáticas. O inventor do esporte, David Belle, declarou que o Le Parkour deve combinar velocidade, fluidez, estética e originalidade. Além disso, os praticantes têm a intenção de ir até onde nenhum ser humano foi antes. A seguir, um vídeo promocional da rede inglesa BBC estrelado por Belle.

Flâneur: palavra da língua francesa que define o indivíduo que anda pela cidade com intenção de experimentá-la. O termo foi cunhado para designar o caminhante urbano que vaga sem rumo pela cidade com um olhar aguçado para a multidão em busca de novas experiências. "Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico".*

Deriva (situacionista): os integrantes do movimento chamado Internacional Situacionista pretendiam inaugurar a arte integral, ou seja, uma forma artística ligada a todos os elementos da vida. Sendo assim, perceberam que essa nova arte estaria amarrada à observação e vivência do ambiente urbano. Nesse sentido, os situacionistas afirmaram que a sociedade devia se apaixonar pelas cidades e seus diferentes panoramas sócio-econômicos. "As grandes cidades são favoráveis à distração que chamamos de deriva. A deriva é uma técnica do andar sem rumo. Ele se mistura à influência do cenário. Todas as casas são belas. A arquitetura deve se tornar apaixonante. Nós não saberíamos considerar tipos de construção menores. O novo urbanismo é inseparável das transformações econômicas e sociais felizemente inevitáveis. É possível se pensar que as reivindicações revolucionárias de uma época correspondem a uma idéia que essa época tem da felicidade. A valorização dos lazeres não é uma brincadeira. Nós insistimos que é preciso se inventar novos jogos".**

O Le Parkour, o Flâneur e a Deriva têm em comum uma relação muito próxima com o urbano. Todos os três movimentos buscam descortinar o olhar das pessoas e lhes apresentar uma nova experimentação das cidades. É interessante notar a curiosidade intrínseca a esses movimentos e o esforço em fazer com que a cidade seja vista sob novos aspectos e sem preconceitos.

Referências: *www.scielo.br/
**www.vitruvius.com.br/arquitextos/
news.bbc.co.uk/
www.comciencia.br/resenhas/cidades

domingo, 30 de agosto de 2009

O trabalho de Vik Muniz

O paulistano Vik Muniz é um dos artistas mais badalados do momento. Foi classificado como um dos maiores expoentes da arte mundial no livro "501 Great Artists: A Comprehensive Guide to the Giants of the Art World". Vale ressaltar que além dele, somente outro brasileiro figura a lista, o Hélio Oiticica.
Nascido em 1961, Vik é filho de uma telefonista e de um garçom e teve a oportunidade de ir para Nova York por causa de um acidente: quando apartou uma briga de rua, Vik foi acidentalmente atingido por um tiro na perna e curiosamente o autor do disparo era pessoa que o artista tentava defender. Para compensar o ato, a pessoa ofereceu uma quantia de dinheiro a Vik que aproveitou a chance e foi para Chicago. Dois anos depois se instalou em Nova York, local que reside até hoje.

No início de sua carreira seus trabalhos consistiam basicamente em esculturas, porém com o tempo o artista começou a tirar fotografias de suas obras e atualmente seus projetos consistem em trabalhar a ilusão através da construção de imagens. O resultado é alcançado por meio de figuras que são construídas a partir de materiais inusitados e da posterior fotografia dessas obras.

Em passagem por Belo Horizonte, no museu Inimá de Paula, a exposição intitulada "Vik" expõe suas obras mais famosas como os retratos de Monalisa confeccionados com geléia e manteiga de amendoim. Também o retrato de Liz Taylor feitos com pequenos diamantes. Além disso, o museu trouxe obras feitas com soldadinhos de plástico, lixo, chocolate... Tudo empregado com muito talento.
Os trabalhos de Vik fazem um grande sucesso com o público e o mais interessante é notar que as obras abragem uma gama diversificada de pessoas. Indivíduos de tipos variados sentem-se fascinados pelo obra de Vik Muniz. A explicação talvez seja pelo fato do comprometimento que o artista tem em fazer com que sua arte esteja realmente ao alcance de todos. Vik simplesmente quer fazer algo que as pessoas gostem e um dos seus pontos altos é a criatividade.

Referências: vikmuniz.net
www.masp.art.br

sábado, 29 de agosto de 2009

A nossa Performance

A performance desenvolvida pelo grupo foi apresentada no hall da escola de arquitetura. O lugar não foi escolhido por acaso. Pelo contrário, tendo em vista nosso intuito de discutir o acesso à universidade bem como a utilização do espaço público e do privado, a entrada do prédio se encaixou perfeitamente dentro dos propósitos.

1. Conceito: partindo da observação em que o vidro, um tênue obstáculo, é capaz de limitar 2 mundos diferentes nossa performance começou a ser concebida. A discussão do grupo tangenciou aspectos que falam da dificuldade em se adentrar o mundo acadêmico, tanto no que diz respeito ao direito à educação quanto à liberdade de circulação da população naquele espaço físico. Existe o direito pela ampla utilização dos espaços públicos? O vidro é um divisor ou um expositor? Quem se sente mais incomodado, os indivíduos de fora ou os de dentro? Qual o nível da interação entre esses 2 mundos? Estas foram as principais indagações que nortearam a apresentação.

2. A Performance: em pequenas ações isoladas, o grupo tentou retratar as diversas possibilidades de exclusão e interação entre indivíduos que tentam vencer a barreira que força a separação mundo público e o privado.

3. Cenas de bastidores:
*As meninas ensaiam o movimento e discutem sobre as tintas a serem utilizadas durante a performance
*Ana prepara o seu local